TIDAL Rising Brasil: Clau

TIDAL Rising Brasil: Clau

Clau apresenta seu segundo EP “VemK” com um som jovem e descolado. A cantora pop mistura elementos do rap e R&B mas confessa escutar de tudo, está antenada nos lançamentos de gêneros mais populares brasileiros como o funk e o sertanejo. Confira aqui como foi o processo de criação de seu mais novo projeto, suas novas descobertas musicais, parcerias dos sonhos e muito mais em nossa entrevista abaixo:

 

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Você começou fazendo covers na internet do Justin Bieber, The Weeknd, Lana del Rey e outros. Esses artistas foram as suas primeiras influências musicais? Quem eram?

Essa galera são as minhas inspirações de hoje, de um tempo pra cá. Mas eu tive algumas fases. Eu sempre falo que a minha maior inspiração de todas foi a Beyoncé, foi a pessoa que mudou a minha vida. Quando eu descobri ela eu fiquei fissurada e observava cada mínimo detalhe, até aprendi a cantar com ela. Muitas divas do pop foram minhas primeiras influências: Christina Aguilera, P!nk, Fergie, Jennifer Lopez, Lady Gaga…Lauryn Hill um pouco depois, essa galera do R&B eu fui conhecendo um pouco depois. Conforme eu fui crescendo, fui conhecendo mais um pouco da galera do rap, do hip hop, isso me influenciou bastante também. Tanto que até hoje eu gosto desses sons de nostalgia, R&B dos anos 2000 por exemplo. Usher, Ne-yo, Chris Brown, Ja Rule, esses artistas me marcaram muito e eu pensava: “quero cantar essa vibe”. Eu gosto das divas do pop mas eu também gosto da coisa da dança, da batida de rap, acho que são essas as minhas primeiras influências. Mas eu também sempre ouvi de tudo: rock, reggae…eu vou do rock pesado ao sertanejo universitário. Eu sou de todos os rolês, resumindo.

 

Agora você faz parte de uma grande gravadora focando em trabalhos autorais. Como foi esse período de transição?

É o tempo que eu me considero uma cantora profissional, porque na época do youtube eu levava na onda do hobby. Cantar na internet foi uma coisa que me abriu portas, muitas pessoas me conheceram e isso me ajudou muito, comecei a cantar com artistas assim…de bobeira, tendo contato com o mundo da música. Até que chegou a gravadora, se interessou, assinamos contrato e então eu pude começar meu trabalho de fato. Foi uma coisa incrível porque no final da época dos covers rolou uma transição, eu pensava “quero mostrar minhas músicas autorais”. Mas eu ainda não tava com a gravadora, estava sozinha lá na minha cidade (Passo Fundo – RS). Então era uma coisa que eu tinha as letras, tinha a composição, sempre gostei muito de escrever, mas eu não tinha a estrutura pra fazer o que eu queria fazer. Então era aquela coisa, arrumar um amigo que tem um microfone bom pra gravar, arrumar um amigo que tem uma câmera pra fazer um clipe então eu ia fazendo da forma que dava. E eu lancei dois clipes nessa vibe independente e foi quando a gravadora me viu, se interessou, enfim…pude começar a trabalhar realmente com produção, que eu sempre quis. Podendo trabalhar com produtores incríveis, uma equipe de profissionais e realmente encarar isso como uma profissão mesmo. Até então não era assim, eu tinha a vontade mas não tinha como fazer aquilo que eu queria.

 

Você acabou de lançar seu novo EP “VemK”. Como foi o processo de criação?  Você se envolveu no processo de produção, composição?

Me envolvi muito, eu sempre gosto de participar das coisas que eu lanço. É a minha cara ali então eu sempre quero transmitir o máximo da Clau pro meu público. Eu participei de todas as composições de todas as músicas. Produção também eu gosto de estar no estúdio com o produtor, dar os meus pitacos, as minhas opiniões. É uma coisa que eu não entendo totalmente né…mas eu procuro pesquisar, estudar, perguntar, aprender e dar a minha opinião pra sair o resultado como eu imagino. E nesse EP foi isso, rolou muita composição colaborativa, todas as músicas tem mais de um compositor envolvido e mesmo tendo outros compositores eu sempre busco dar a minha cara na música porque eu acho isso essencial.

 

O seu som tem elementos do pop e r&b principalmente. Você sente a necessidade de se definir como cantora de um gênero específico ou gosta de brincar com os estilos musicais?

Eu gosto de brincar, acho que eu não preciso dessa definição mas quando me perguntam eu falo que sou uma cantora pop. Acho que o pop tem muitas possibilidades. O pop entra no funk, no sertanejo, no rock, no rap…muita coisa é pop. E como eu falei as minhas maiores referências são do pop, então é uma coisa que eu me orgulho de falar. Mas eu sempre procuro colocar o “temperinho” especial que á minha cara, que é essa pegada o rap e do R&B, que eu penso ser que são coisas diferentes que eu trago pro pop brasileiro. Então eu defino como pop meu estilo, ele traz muitas opções e podendo colocar o R&B ali como uma vertente, eu coloco. Mas eu gosto de estar com a galera do rap, estou sempre envolvida também, cantando em show junto…eu acho que é um movimento que eu curto estar junto, eu apoio e a galera também me acolheu então eu aproveito isso ao máximo.

 

Falando nisso, você tem parcerias incríveis com Haikaiss, Rincon, Tropkillaz.

Eu comecei na verdade muito no rap, porque a galera do rap me acolheu. Eu comecei com uma parceria com grupo que chama “Primeiramente”, numa música que chama “Plano B”. E eles são um grupo de rap consciente, rap com mensagem, o rap mais respeitado. Então eu cheguei, uma menina do Rio Grande do Sul do nada, cantando com eles e o público do rap ficou “se esses caras que cantam o rap de mensagem tão botando fé nessa mina é porque ela tem alguma coisa”. Então ai já começou a relação mais próxima com a galera do rap e eu me senti muito bem nesse meio e fui continuando. Porque é uma coisa que eu gosto muito e que a galera também me apoiou. Eu respeito isso e valorizo muito.

 

Com quem você ainda sonha em ter uma parceria?

“Dos sonhos” eu não vou ser aquela pessoa que vai falar: “nossa quero cantar com o Bruno Mars”, porque vão achar que eu tô louca. Mas falando uma que eu quero muito no momento é com a Gloria Groove, que eu sou muito fã e a gente já tem se falado. Eu to fazendo a música certa pra chegar e apresentar pra ela. Se ela amar, a gente grava e eu quero lançar. No momento ela é a minha maior vontade de parceria. A vibe tem tudo a ver, quando sair a galera vai ficar “nossa, é óbvio. não tem como não fazer essa parceria.”

 

Como você vê a questão do formato hoje em dia? Pretende lançar um álbum ou vai seguir lançando parcerias, singles?

Tenho muita vontade de lançar um álbum, muita muita mesmo. Eu estou toda hora em estúdio, escrevendo música…todo dia praticamente ou pensando em música, em contato com produtores, compositores…então eu tenho muita música em processo ou prontas. Pra mim isso é o principal, estar fazendo música o tempo inteiro. E são tantas músicas incríveis que eu queria muito lançar um álbum, não pensando em quantos hits vão sair desse álbum mas pra mostrar o meu trabalho e a galera ter acesso a essas músicas que estão guardadas. Só que hoje tem isso, esse lance de estratégia, é complicado…as coisas estão muito momentâneas e quando se lança uma coisa o público já vem na pressão de querer novidade a cada momento. É tanto trabalho pra fazer um álbum, meses e meses, talvez anos nesse processo de gravação pra depois talvez sair e não ter o retorno proporcional ao esforço que foi pra fazer o álbum. No momento é mais interessante lançar EP, que é o equivalente às músicas que seriam trabalhadas num álbum, digamos assim. O pessoal tem acesso a essas músicas de forma mais reduzida, mas podendo ser trabalhadas com mais atenção.  É incrível fazer uma obra com começo, meio e fim…um trabalho completo eu acho incrível. Vai rolar, não vai demorar tanto tempo assim mas por enquanto ainda não.

 

Como funciona sua relação com a Anitta? Vocês trabalharam juntas nesse último lançamento?

A Anitta é uma pessoa muito importante na minha carreira, principalmente no início ali no EP “Relaxa” que eu tava começando a aparecer ainda, ela foi aquela pessoa que me deu todo o suporte pra realmente começar a ter essa experiência no mundo da música. Agora nesse EP “VemK” já é uma outra situação, eu já to mais independente, ela já me passou muitos ensinamentos e transmitiu o que ela sabia. Agora eu já tive mais autonomia pra fazer as músicas, tomar algumas decisões e colocar em prática o que ela me passou mais no início. Então nesse momento eu tenho uma equipe enorme que me ajuda, tenho outros sócios além da Anitta…e a Anitta sendo a pessoa multitarefas que ela é, sempre lançando muita coisa, ela ficou um pouco mais afastada e os meus outros empresários puderam tomar a frente. Mas ela sempre está ciente do que acontece, nesse momento foi mais colocar em prática o que ela me ensinou.

 

O sertanejo e o funk são muito grandes no brasil, você escuta esses gêneros? Quais gêneros e artistas brasileiros você curte que as pessoas não iriam imaginar?

Escuto! As vezes as pessoas acham que não, acham que eu só escuto música gringa. Eu sou aquela pessoa que vai no rolê mais alternativo, underground, das pessoas mais esquisitas e eu vou no rolê do sertanejo. Porquê lá na minha cidade, os rolês que eu ia, as festas só tocam sertanejo e funk. Eram os lugares que eu frequentava com os meus amigos, não tem muita balada de hip hop. Eu aprendi todos os sertanejos, comecei a gostar lá atrás e foi uma coisa que seguiu pra minha vida. Eu sou muito fã de Marília Mendonça, ela é outra pessoa que eu queria cantar junto e ela me segue! Ela vê o que eu posto, ela sabe quem eu sou então quem sabe rola esse feat. O primeiro passo tá dado. Mas eu conheço todos real…Zé Neto & Cristiano, Henrique & Juliano, Maiara & Maraísa, Simone & Simaria, Felipe Araújo…eu conheço real tudo que tá rolando. Funk também escuto muito, to sempre ligada em funk, é uma coisa que eu quero trazer pro meu trabalho. Sertanejo eu gosto mas eu não me vejo entrando nesse universo como artista, como pessoa é uma coisa eu gosto, apoio e adoro. Mas o funk é algo que eu posso muito mais trazer pro meu trabalho…eu escuto de tudo: funk, sertanejo…o Ferrugem é o outro cara que eu amo, ele é um dos maiores cantores do momento, quando ele canta eu fico babando.

 

Vindo do sul, você mantém contato com a cena musical de lá?

Lá na minha área era uma coisa mais de barzinhos de rock…tinham os grupos de rap que eram os meus amigos, que iam fazer show me chamavam pra cantar junto. A galera ficava muito naquele meio do rap, dos grupos de grafite ou então a galera do rock ficava muito nos barzinhos, era muito essa onda. Quando eu vou pra lá sempre to muito envolvida em todos os lugares mas acho que no Rio Grande Sul as coisas ficam muito por lá do que acontece, talvez as pessoas do resto do Brasil não estejam ligadas como é no eixo Rio-São Paulo.

 

Você tem algum artista que descobriu recentemente que gostou muito e quer compartilhar com a gente?

Tem uma artista que eu não descobri “recentemente” porque é amiga minha mas acho legal falar pra galera…que é a Duda Beat, tem a música nova dela com o Omulu e o Lux & Tróia, “Meu Jeito de Amar”.

 

Quais são os seus próximos passos?

Agora começamos o ano lançando o EP “VemK” que ainda vamos trabalhar bem. Já estou pensando nos próximos lançamentos, to com muita ideia nova, muita música rolando. Mas por enquanto trabalhar o EP, fazer mais shows, quero estar mais em contato com o público. Esses são meus objetivos principais: trabalhar muito minha música, não parar em nenhum momento de produzir pra ter mais música, quanto mais melhor, mais opções e poder escolher as melhores e fazer show, encontrar os meus fãs, conhecer o Brasil…tem muitos lugares que eu ainda quero conhecer, eu ainda tô começando…eu recebo muita mensagem de fãs em Fortaleza, não era um lugar que eu iria pensar que as pessoas iriam querer o meu show e eu vejo muita mensagem de gente pedindo. Fortal, quero muito!

 

 

 

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